ASSOCIAÇÃO DE JURISTAS PROMOVE INVENTÁRIO DA ARTE SACRA PAMPILHOSENSE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A Escola de Polícia Judiciária, o Município de Pampilhosa da Serra, o Arciprestado pampilhosense e a Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) vão celebrar, no dia 11 de Dezembro, um acordo com vista à inventariação do património histórico e artístico religioso existente no concelho.

 

A assinatura do acordo terá lugar numa cerimónia pública, pelas 14 horas, no auditório do Edifício Multiusos “Monsenhor Nunes Pereira”, em Pampilhosa da Serra. Estarão presentes no evento o bispo de Coimbra Albino Cleto, a directora da Escola de Polícia Judiciária Carla Falua e o edil José Brito, para além da Direcção da AJPS e de outros ilustres sócios e convidados.A iniciativa do projecto que visa inventariar e caracterizar um património cultural religioso distribuído por cerca de 100 povoações deve-se à AJPS, uma associação de licenciados em direito naturais e oriundos de Pampilhosa da Serra, fundada em 2009. De acordo com José Braz, vice-presidente da AJPS, “este projecto procura reunir e optimizar esforços, vontades e recursos de distinta natureza, com o objectivo central de contribuir para uma melhor segurança e conservação do património de arte sacra do Arciprestado de Pampilhosa da Serra”.

A realização deste projecto conjunto insere-se nos fins estatutários da própria AJPS, já que a aquela associação sem fins lucrativos visa contribuir para o desenvolvimento cultural e social do concelho pampilhosense. No entanto, para José Braz, esta iniciativa nada tem de inédito, pois “outras dioceses, paróquias e comunidades procuram desenvolver medidas de idêntica natureza”, uma vez que “as igrejas e todo o seu património, para além de constituírem espaços de culto para os crentes, são – para todos – espaços de referência simbólica, páginas vivas da história e da memória de cada um de nós, talvez um dos principais elos identitários que nos fazem pertencer e voltar. Existe contudo uma multiplicidade de factores que concorrem para a deterioração, perda e desvalorização deste valioso património que importa contrariar com medidas de diversa natureza. É na prossecução deste desígnio que se insere este projecto”.

A dispersão do povoamento naquele que é o segundo maior concelho do distrito de Coimbra e o facto do património em causa pertencer à Igreja Católica implicam um esforço colectivo e que a AJPS procurou reunir. “Este projecto é um projecto de parcerias”, começa por explicar o vice-presidente da associação jurídica pampilhosense. “Sem a vontade e o empenhamento da Igreja, sem o indispensável suporte e apoio técnico do Projecto «Igreja Segura» da Escola da Polícia Judiciária, sem o apoio logístico e material da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra e sem a generosidade e a disponibilidade de muitas das personalidades envolvidas, não seria sequer possível apresentá-lo. Trata-se, pois, de um desígnio colectivo que tem como parceiros as entidades que referi, além de outras pessoas altamente qualificadas no plano técnico-científico que aderiram ao projecto e garantiram a sua participação com grande generosidade e entusiasmo”.

O projecto, que se pretende iniciar ainda no corrente ano, vai assentar numa base de voluntariado. A Escola da Policia Judiciária prestará, de forma gratuita, todo o apoio técnico e metodológico, ao passo que a autarquia pampilhosense disponibilizou-se desde a primeira hora para apoiar financeiramente os custos da actividade a desenvolver, designadamente em termos de transportes, logística, suportes e materiais. “Mas admitimos que algumas entidades e empresas, face ao manifesto interesse do projecto, possam vir também a financiá-lo”, refere José Braz, dada a notoriedade e os benefícios que podem resultar desse envolvimento. Já o trabalho de campo será constituído por pessoas de Pampilhosa da Serra ou com ligação afectiva ao território. “Por razões de eficácia o grupo de trabalho será constituído por um número limitado de pessoas que em todo o caso devem garantir alguma multidisciplinaridade. Para além de representantes do arciprestado e da AJPS, está já garantida a participação do Dr. Fernando Rua e do Dr. Manuel Porfírio, ambos professores, com um vasto currículo de intervenções na área da investigação histórico-social e forte ligação afectiva à Pampilhosa. No decurso do projecto, sempre que necessário recorrer-se-á a outros especialistas”, acrescenta a mesma fonte.

A dimensão desta iniciativa implica que o seu termo não seja para breve. Segundo o vice-presidente da AJPS, “a fase de pré-inventário e caracterização poderá demorar mais de dois anos. Em todo o caso é prematuro estabelecer prazos antes de se definir a calendarização das acções e o mapeamento dos alvos, ou seja, antes do grupo começar a trabalhar.”

José Braz esclarece que, regra geral, esta inventariação não vai implicar a retirada temporária de quaisquer peças. “A fase de pré-inventário e de caracterização das peças, será realizada ‘in loco’, o que afasta, à partida, qualquer necessidade da sua deslocação. Considerando ainda que o projecto não comporta, em nenhuma das fases por ora previstas, o restauro e/ou recuperação de peças, a sua simples manipulação será reduzida ao mínimo estritamente necessário, tendo naturalmente em conta o seu estado de conservação”. Contudo, admite a eventual deslocação de peças, por razões de segurança, mas sempre por decisão da Igreja e/ou da comunidade  para locais por ela definidos ou aceites. “Quero com isto deixar claro que o projecto tem um papel de mera assessoria e aconselhamento, não competindo à sua equipa tomar quaisquer decisões relativamente à situação, destino ou disponibilidade do património”.

Porém, segundo o mesmo dirigente associativo, esta iniciativa não comporta uma vertente de reforço da segurança dos próprios templos, mas apenas apoio técnico e preventivo (sensibilização e formação para a prevenção e protecção do património).

A publicação do inventário do património cultural e artístico religioso de Pampilhosa da Serra seria o culminar desejável por parte da AJPS, como nos confessa José Braz, ele próprio oriundo daquele concelho do Interior. “Está previsto como uma desejável possibilidade, dependendo a sua edição da avaliação dos conteúdos e do resultado da pré-inventariação, bem como dos apoios que se obtenham nesse sentido. Disse desejável porque esta iniciativa poderá, indirectamente, ter um significativo impacto na valorização e divulgação do concelho e do seu património histórico”.

Para além da actividade de inventariação, a AJPS pretende aproveitar a oportunidade para promover acções de sensibilização junto da comunidade. “Está prevista na primeira fase do projecto a realização de uma acção ou curso de formação destinado a um conjunto alargado de intervenientes (elementos do clero, autarquias, GNR, zeladores de templos, entre outros) e, se houver condições para o efeito, uma exposição multimédia sobre o tema. Mas qualquer destas iniciativas será desenvolvida por especialistas da Policia Judiciária no âmbito do projecto «Igreja Segura» da Escola da Policia Judiciária”, conclui José Braz.

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